No campo em que o luar engrinalda a escumilha, o par freme de amor, a noite dorme e brilha. Ele, o poeta aldeão, era humilde pastor. Ela ,a fidalga, expunha a mocidade em flor. Ao longe da mansão, quantos beijos ao vento ...Quantas juras de afeto à luz do firmamento. Em certa noite, a eleita envia antigo pajem, que entrega ao moço ansioso, imprevista mensagem. “Perdoe- a carta diz- se não lhe fui sincera. Desposarei agora o homem que me espera. Nunca deslustrarei o nome de meus pais, nosso amor foi um sonho.....um sonho nada mais.” Chora o moço infeliz, sem ninguém que o conforte . Surdo à razão, anseia arrojar-se na morte. Corre à choça de taipa. A gesto subitâneo, arma-se em desespero e arrasa o próprio crânio. Foi-se o tempo... E no além, o menestrel suicida, era um louco implorando um novo corpo à vida. Um dia a castelã, no refúgio dourado, morre amargando , aflita, as lições do passado. Pendem alvos jasmins do féretro suspenso. Filhos clamam adeus em volutas de incenso. Largando-se por fim , dos enfeites de prata, sente-se agora a dama, envilecida e ingrata. Lembra o campo de outrora e o pobre moço aldeão, pede para revêlo e rogar-lhe perdão. Encontra-o finalmente, em vasta enfermaria, demente, cego e mudo ,em angústia sombria. Ela suporta em pranto a culpa que a reprova. Quer voltar para a terra e dar-lhe vida nova. A eterna lei de amor, no amor se lhe revela. Retorna ao corpo denso em aldeia singela. Hoje, mãe a sofrer, fina-se pouco a pouco, carregando no colo um filho mudo e louco.....E enquanto o enfermo espraia o olhar triste e sem brilho, ela vive a rogar: “Não me deixe, meu filho!....”O romance prossegue e os momentos se vão...Bendita seja a dor que talha a perfeição. Alphonsus de Guimarãens
ESTE POEMA NOTADAMENTE ESPIRITUALISTA,NOS FAZ PENSAR E REFLETIR SOBRE AS CONSEQUÊNCIAS DE NOSSOS ATOS AQUI NA TERRA.
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